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THE OFFERING BOWLS

DUCK RESIDENCE EXHIBITION
Søndersø Lake
Viborg, Denmark



When invited to be part of this ‘water project’, my intention was to approach the proposed question (‘what it is to belong’) through this movement of ‘immersion’, that is peculiar to my practice. In this sense, I refer to a state of presence that can be taken wherever. Through my symbolic repertory, I express a sense of place as an inner achievement, a territory which transcends the physicality of things and that is ‘conquered’ through a process of awareness. As artists, we pour out cultural wealth and we bring different realities together. As inhabitants of our physical bodies, we connect to the environments in an electromagnetic level and this affects us in a physical, mental and emotional dimension. Our place of birth is inherited from the history of our ancestors, and we carry it as luggage wherever we land.

In my work I present a family of forms that emerge from my subconscious. They are born as drawings made absentmindedly on the pages of my notebooks. For my recent projects, I create enlarged (or animated) versions of these initial drawings and give them narrative status, presenting them as ethereal entities which vibrate in the spaces that welcome their presence.

My final art piece turned out to be a large photo-printed aluminum board, standing on the bottom of the lake. It depicts a group of pieces that I had previously displayed inside the lake itself. By exhibiting a photo of a lake inside this same lake (and later on, inside other waterbodies), I create a visual effect through which I play with the idea of multiple dimensions.

In the work we see a group of ceramic bowls which serve as containers for the drawing pieces. Next to them there’s a picture of myself facing a waterfall. In a poetic sense, I make the waters of my home land flow into Danish waters and, before flying to new territories, I leave the graphisms that encode my energy hovering on the lake. In a deeper layer of meanings, the work contains codified references to cultural practices concerning the peoples who make up my ancestry (Brazilian Indians, African and Iberian), in their ways of contacting intangible forces through nature. In addition, the work’s title also alludes to ancient Scandinavian customs, considering that Nordic lakes supposedly served as sites for offerings.

AS BACIAS DE OFERENDAS
Por Mariana Leal

Ao ser convidada para expor dentro d’água pelo projeto Duck Residence, minha intenção foi abordar a questão proposta pelo comitê (“o que significa pertencer”) através de um movimento de “imersão” que é peculiar à minha prática artística – permeada por viagens a locais de natureza e por práticas que me capacitam o acesso a dimensões psicoemocionais. Nesse sentido, refiro-me a um estado de presença que pode ser levado aonde quer que se vá. Através do meu repertório simbólico, expresso a sensação de “lugar” como uma aquisição interna: território “conquistado” através de processos de tomada de consciência – e que por isso transcende a natureza física das coisas. Como artistas, derramamos riqueza cultural e aproximamos diferentes realidades. Como habitantes de nossos corpos físicos, ligamo-nos eletromagneticamente aos ambientes, trocamos energias e nos reabastecemos – e isso influencia os processos físicos, mentais e emocionais. Nosso lugar de nascimento é herança das histórias dos nossos ancestrais, e nós o levamos como bagagem aonde quer que pousemos.

No trabalho, apresento formas que emergem do meu subconsciente. Essas formas nascem como desenhos rabiscados ao léu em meus cadernos de anotações. Em projetos recentes, crio versões ampliadas (ou animadas) desses desenhos iniciais e confiro a eles status narrativos, apresentando-os como entidades etéreas que vibram e pairam nos ambientes aos quais sou convidada a intervir.

Tecnicamente a obra final consiste em uma grande impressão fotográfica em alumínio, instalada dentro d´água. A imagem retrata um conjunto de peças que anteriormente foram dispostas dentro do próprio lago. Ao expor uma fotografia do lago sobre o leito deste mesmo lago (e, posteriormente, em outros contextos aquáticos), crio um efeito visual por meio do qual brinco com a ideia de um espaço de interseção entre dimensões. A instalação ganha algo de metafísico.

No trabalho vê-se um grupo de bacias de cerâmica que servem como recipientes para as placas nas quais estão traçados os desenhos (o elemento terra servindo como receptáculo para o etéreo). Junto às bacias, há outra placa (fotográfica), na qual apareço diante de uma cachoeira. Num sentido poético, faço as águas de minha terra natal desaguarem em águas dinamarquesas e, antes de voar a novos territórios, deixo os grafismos que codificam minha energia vibrando sobre o lago. Em camadas mais profundas de significados, o trabalho traz referências codificadas a práticas culturais relativas aos povos que compõe minha ancestralidade (indígenas, africanos e ibéricos), em seus modos de fazer contato com o invisível através de forças da natureza. Num certo sentido, alude também a antigas práticas escandinavas, considerando-se que lagos nórdicos supostamente serviram como locais para a realização de oferendas.